Pesquisa publicada em 2026 investiga como a gordofobia aparece durante a formação de futuros profissionais de Medicina, Nutrição, Psicologia e Educação Física.
A gordofobia pode começar a ser reproduzida antes mesmo de um profissional de saúde chegar ao consultório?
Essa é uma das questões levantadas pelo artigo “Gordofobia durante a formação acadêmica entre estudantes da área de saúde”, publicado em 2026 na revista científica Demetra: Alimentação, Nutrição & Saúde.
O estudo é uma produção coletiva de Cristina de Santiago Viana Falcão, Gislei Mocelin Polli, Lara Lima Satler, Leticia Radin Pereira, Brena Barreto Barbosa, Maria Luísa Jimenez Jimenez, Ana Maria Fontenelle Catrib e Antonio Augusto Ferreira Carioca. 93516.+Brena_PORT_ok.Novo.v2-1
Quando a gordofobia aparece ainda na universidade
A pesquisa analisou as percepções de estudantes de Educação Física, Medicina, Nutrição e Psicologia sobre o corpo gordo durante sua formação acadêmica.
Participaram do estudo 11 estudantes, e as discussões revelaram que a gordofobia ainda é pouco abordada nos currículos dos cursos da área da saúde.
Entre os temas encontrados estão a associação automática entre corpo gordo e doença, manifestações mais sutis de preconceito, padrões de beleza, conteúdos de “antes e depois” e até barreiras institucionais aparentemente simples, como a falta de uniformes em tamanhos adequados para estudantes gordos.
Essas situações mostram que a gordofobia não se manifesta apenas em comentários ofensivos.
Ela também pode aparecer na estrutura das instituições, na forma como a saúde é ensinada e na ideia de que o emagrecimento deve ser necessariamente o centro do cuidado.
Por que essa pesquisa é importante?
A formação de profissionais de saúde influencia diretamente a maneira como futuras médicas, nutricionistas, psicólogas, profissionais de Educação Física e outras áreas vão atender pessoas gordas.
Quando a graduação reduz uma pessoa ao peso ou associa automaticamente uma corpa gorda à doença, existe o risco de reproduzir atendimentos centrados no emagrecimento e deixar de considerar aspectos psicológicos, sociais e individuais da saúde.
O estudo aponta, por isso, a necessidade de incluir disciplinas, programas e conteúdos sobre gordofobia, diversidade corporal e cuidado não discriminatório na formação dos profissionais de saúde.
Todos os autores e autoras participaram das diferentes etapas do estudo, da concepção à revisão e aprovação da versão final.
Quer aprofundar essa discussão?
O artigo completo apresenta os relatos dos estudantes, as categorias encontradas pela pesquisa e uma discussão mais ampla sobre gordofobia, saúde, formação profissional, redes sociais e cuidado.
LER O ARTIGO NA ÍNTEGRA
https://www.e-publicacoes.uerj.br/demetra/article/view/93516





